Lentes de Contato pela primeira vez? Veja 10 dicas
11/02/2019

Mulher extrai o olho após mau uso de lentes de contato

Marcela Moferdini, de 35 anos, sofreu durante 10 anos com uma doença rara causada pelo mau uso de lentes de contato. Em relato ao Viva Bem da UOL, ela conta como foi o processo desde os sintomas até a extração do olho esquerdo. Este caso serve de alerta para que as pessoas não negligenciarem os cuidados com o produto.

“Eu sempre usei lente de contato porque sofria com miopia. Um dia, em 2007, quando estava com 23 anos, acordei com o olho bem inchado. Joguei água achando que limpar melhoraria o problema, mas nada diminuiu o inchaço…”

Após uma semana pensando que era apenas uma irritação, Marcela decidiu procurar um oftalmologista. O primeiro médico disse que se tratava de herpes e recomendou remédio para tratar a doença. Entretanto, os sintomas continuaram, o olho não parava de doer e de ficar vermelho.

Quase dois meses depois ela ainda sentia incômodo. Ficou 30 dias sem sair de casa, melhorou um pouco e foi curtir o Carnaval. Como o olho não parava de doer, Marcela decidiu procurar outro médico, que disse que ela tinha um bichinho muito chato e difícil de curar.

Mesmo sem um diagnóstico preciso, o segundo médico receitou corticóides, que acabou mascarando a doença. O olho não melhorava de jeito nenhum, coçava o tempo todo, ficava vermelho e parecia que sempre estava com areia. Com isso tudo acontecendo, a jovem emagreceu 12 kg, pois não conseguia se alimentar direito e tinha adquirido sensibilidade à luz.

Um dos médicos recomendou o uso de lente de contato terapêutica, no início parecia ter resolvido o problema, mas depois de duas semanas, quando foi retirar a lente, o olho estava completamente branco. A essa altura, Marcela já estava desesperada sem saber o que estava acontecendo.

Depois de se consultar com sete médicos e cinco meses de muita investigação, descobriram que ela estava com ceratite, uma inflamação na córnea.

No caso dela, o problema foi causada por Acanthamoeba, um protozoário encontrado na água que aderiu à lente de contato e penetrou o olho. O médico alertou que o diagnóstico foi tarde demais e que o problema era grave.

O oftalmologista disse ainda que o parasita gosta de lugares úmidos e que usar lentes de contato em piscina, durante o banho e não higienizar corretamente com produtos específicos aumentam o risco do problema.

A jovem se lembrou que, de fato, tinha pouco cuidado com a lente, mas jamais imaginaria chegar nesse ponto. “Algumas vezes, minhas lentes tinham pontinhos pretos. Porém, como o produto para lavá-la era caro, ignorava a ‘sujeira’ e as usava mesmo assim…”

O médico receitou um medicamento importado e disse que se não melhorasse teria que optar pela transplante de córnea. Após quase um ano de tratamento, surgiu um ponto preto no olho e o quadro começou a piorar. Ao examinar, o médico disse que seria necessário realizar a cirurgia, com o quadro era gravíssimo, fiz o transplante poucos dias depois.

No dia seguinte, o organismo já rejeitou a nova córnea e ainda provocou catarata e glaucoma. Os médicos já não sabiam o que fazer, pingavam oito colírios, mas a dor insuportável persistia. Marcela procurou outro médico que suspendeu todos os medicamentos e iniciou um novo tratamento que, um dia, a fez vomitar a cada seis minutos, sem parar.

Mediram a pressão do olho e tinha desenvolvido glaucoma novamente. Ela teve que passar pelo segundo transplante de córnea para tratar o glaucoma e a catarata. Depois desse procedimento, o corpo rejeitou de novo a córnea. Com 30 anos, ela se sentia fracassada e estava no limite.

Já havia realizado diversas cirurgias, tratamento com laser e até colocado um pedaço de placenta, mas a dor continuava. Não tinha emprego, largou a faculdade, a vida estava parada.

Como a dor era insuportável, Marcela decidiu tirar o olho. Alguns médicos tentaram impedir, tendo que gerar um laudo comprovando que já havia tentado inúmeras técnicas.

Após toda a burocracia, autorizaram o procedimento e extraíram o olho. Depois disso, ela prestou concurso, terminou a faculdade, casou e pode ser feliz.

Atualmente, usa uma prótese interna de polietileno e uma externa para fins estéticos. Marcela finaliza dizendo: “Embora tenha sofrido muito, o problema serviu para que eu alertasse outras pessoas da importância de cuidar e fazer o uso correto das lentes.”

 

O que é ceratite?

Esta doença consiste na inflamação da córnea, a porção externa transparente dos olhos que refrata e transmite a luz e também funciona como proteção à superfície do globo ocular.

O processo inflamatório tem causas diversas, exposição à luz ultravioleta, deficiência de vitamina A, mau uso de lentes de contato, além da ação de vírus, bactérias, fungos, protozoários, como a Acanthamoeba, do caso da Marcela.

Este parasita é encontrado no solo, no mar, em rios e lagos, piscinas, hidromassagens e até em água encanada, segundo o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA). A doença provocada por ele geralmente se manifesta em indivíduos que usam lente de contato, pois ao expor o produto à água contaminada a Acanthamoeba adere a ele e depois “passa” para a córnea.

Portanto, não coloque, nem armazene suas lentes de contato em contato com água. Apesar de rara, a ceratite provocada pela Acanthamoeba é considerada umas das mais graves infecções de olho.

Como evitar a ceratite?

É importante seguir corretamente as instruções de uso das lentes de contato, isto é:

– Limpar as lentes corretamente e com produtos específicos antes e após o uso;
– Substituir as lentes no tempo indicado pelo fabricante;
– Trocar o estojo das lentes pelo menos de três em três meses;
– Evitar tomar banho ou entrar na água do mar, rios, lagos, piscinas e banheiras de hidromassagem com as lentes.

Quais são os sintomas de ceratite?

De acordo com Lísia Aioki, oftalmologista do Hospital das Clínicas, em entrevista a CLAUDIA (revista Abril), os principais sintomas da inflamação são:

– Dor no olho;
– Embaçamento visual;
– Vermelhidão na região do olho.

O ideal é que o paciente procure o médico em no máximo três dias após o surgimento dos primeiros sintomas ou quando houver intolerância à lente de contato. Lembre-se, caso tenha algum incômodo, suspenda o uso de lentes de contato imediatamente. CUIDE-SE!

Fonte: Viva Bem/UOL, CLAUDIA/Abril e Catraca Livre.

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